19 de Maio de 2013

Geral
Enviado por Leonardo Barros 30/6/2012 18:59:38

Atleta de São Gonçalo vai às olimpíadas

Entrar em campo e enfrentar os adversários para alcançar a vitória. O espírito de competição se aflora ainda mais em grandes competições internacionais, como, por exemplo, os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos que, esse ano, serão disputados em Londres, Inglaterra. Para o morador de São Gonçalo Jorge Luís da Silva, 32 anos, os adversários foram sendo derrotados desde o seu nascimento. Hoje, depois de muitas batalhas vencidas, o atual goleiro titular do Botafogo e da Seleção Brasileira de Futebol de 7 espera trazer a medalha de ouro da capital inglesa.

Portador de paralisia cerebral, Jorge Luís teve dificuldade para andar até o início da adolescência. Nascido em Campos, Jorge conheceu o futebol nas instituições em que estudava no município do Norte Fluminense. Aos 14 anos, se mudou para São Gonçalo, onde mora até hoje, no bairro Jóquei. “Sempre quis jogar futebol e nada iria me impedir. No começo, minha mãe era contra, pois tinha medo de eu me machucar. Mas eu sempre pedia e, com o incentivo de alguns amigos, voltei a jogar em São Gonçalo. Passei por algumas instituições até chegar a Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef)”, disse Jorge Luís, que ganhou o apelido de ‘Golias’ por conta das caretas que faz para divertir os amigos, relembrando o humorista Ronald Golias.

Porém, apesar de ter um bom desempenho nos campos, alguns fatores atrapalharam a profissionalização de Jorge Luís. Na primeira avaliação para definir em qual categoria paraolímpica que seria colocado, ele foi reprovado. “Falaram que eu não tinha paralisia cerebral e, por isso, não me enquadrava no esporte. Cheguei a mudar de esporte, comecei a treinar no atletismo. Porém, meu sonho sempre foi jogar futebol. Em 2011, durante um Campeonato Brasileiro de futebol de 7, refiz a avaliação e fui aprovado. Assim, deixei o atletismo e comecei a disputar na competição de futebol”, contou Jorge Luís, que é ‘classe 6’.

O convite para defender o Glorioso foi feito no fim do ano passado. O goleiro foi chamado pela direção do Instituto Superar, que é dedicado ao esporte paraolímpico e mantém uma parceria com o Botafogo. Jorge Luís foi convocado pelo técnico Paulo Cruz para a disputa dos Jogos Paraolímpicos de Londres em agosto. Nos últimos meses, a equipe – que conta com oito jogadores do Botafogo/Instituto Superar – disputou competições em Manchester, Inglaterra e Kiev, na Ucrânia. “Nem acredito que vou disputar esses jogos. É um sonho que vai virar realidade”, disse Jorge Luís, acompanhado da mãe, Neuza Azeredo, 65 anos.

Futebol é disputado por jogadores com paralisia cerebral

Diferente do futebol de 5, praticado somente por atletas com deficiência visual, o futebol de 7 é disputado por jogadores com paralisia cerebral, com sequelas de traumatismo crânio-encefálico e acidentes vasculares cerebrais (AVC). Todos os competidores são andantes.

A modalidade integra os Jogos Paraolímpicos, desde 1984, em Stoke Mandeville/Nova York 1984. A Ucrânia é o atual bicampeão dos jogos e uma das favoritas à medalha de ouro esse ano. O Brasil tem duas medalhas: bronze em Sydney, Austrália, em 2000 e prata nos Jogos de Atenas, Grécia, em 2004.

Regras – As partidas do futebol de 7 duram 60 minutos, divididos em dois tempos de 30 e com um intervalo de 15 minutos. Cada equipe tem sete jogadores em campo (com o goleiro) e cinco reservas, que são classificados em uma escala de 5 a 8, de acordo com o tipo de deficiência que apresentam. Quanto maior a classe, menor é o nível de comprometimento do atleta. Cada equipe pode ter, no máximo, dois atletas da classe 8 e, no mínimo, um atleta das classes 5 e 6.
 
 
Instituto Superar: criado para fomentar esporte

Fundado em 2008, o Instituto Superar é uma entidade sem fins lucrativos com o objetivo de fomentar o esporte paraolímpico em busca de performance técnica e resultados, além de visibilidade e reconhecimento da sociedade, promovendo o desenvolvimento da pessoa com deficiência por meio do esporte adaptado, da educação, agindo como um provedor de recursos com nítida ação de inclusão social.

De acordo com o supervisor do Botafogo/Instituto Superar, Nelson Pacheco, a parceria com o clube carioca tem rendido muitos frutos para os atletas. “Oito jogadores da equipe e mais o técnico estão em Londres defendendo a Seleção Brasileira. Hoje, temos a equipe mais forte do país”, contou Nelson.





<< Primeira < Anterior   [ 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10  ] Próxima > Última >>

Expediente | Anuncie Aqui | Trabalhe Conosco | Twitter | Comunidade no Orkut | RSS | Fale Conosco
©Copyright O SÃO GONÇALO - Todos os direitos Reservados

Ilhota Leste Comunicação