20 de junho de 2013

Recado da Professora
Enviado por Marlene Salgado de Oliveira 16/6/2012 19:59:04

A arte do lixo na Rio+20

A arte é uma criação estritamente humana. O artista faz uma leitura da realidade e a transforma em beleza, equilíbrio, revolta, harmonia e mais. A arte envolve a história do homem, a sua cultura e promove a celebração dos sentimentos. Mais rapidamente aprendemos algo que venha através de nossa emoção, de nosso prazer, de nossa alegria do que algo que nos seja incutido por seca teoria. Quando ambas se abraçam – teoria e arte – os sentimentos afloram, a sensibilidade brota e o aprendizado acontece.

Daí, ser o artista plástico Vik Muniz uma das figuras especiais da Rio+20. Sua obra deve ser explorada ao máximo para que o povo aproveite também ao máximo alguns dos conceitos que estão sendo discutidos nestes dias. Na semana passada, falei sobre a Rio+20 e chamei a atenção para a base do sucesso das metas a serem estabelecidas: a Educação. Por isso, lembro de Vik Muniz, artista plástico brasileiro radicado em Nova Iorque, que usa lixo como principal ingrediente de suas obras.

Num documentário seu, intitulado Lixo Extraordinário, filmado num dos maiores aterros sanitários da América Latina - Jardim Gramacho - Vik Muniz faz uma parceria com os catadores de lixo e transforma detritos em matéria-prima de sua arte. O desafio era saber se a arte teria o potencial de mudar a vida daqueles indivíduos. E teve. O filme emociona, principalmente, quando mostra as pessoas do lixão recuperando sua autoestima com o trabalho criado por Vik. Viram que elas também são realidades que se transformam em arte. O bom, também, é que o aterro do Jardim Gramacho encerrou suas atividades, já que representava um enorme perigo socioambiental. O sucesso do documentário deu a ele muitos prêmios e uma indicação ao Oscar.

Vik Muniz foi convidado para participar da Rio+20 e vai assinar uma obra denominada “Paisagem” com base em uma foto da Baía de Guanabara tirada, por ele próprio, do Mirante Santa Bárbara. A foto será projetada no chão de um ateliê especial, montado no Aterro do Flamengo. Os visitantes estão sendo convocados pelo artista para, até dia 22, não só doarem materiais recicláveis limpos, como, junto com ele, intervirem na composição da própria obra até que o desenho esteja completo.

Com certeza esta experiência dará, a cada um que a viver, uma nova dimensão sobre sustentabilidade em relação ao reaproveitamento de materiais que julgamos inúteis. Ver embalagens que iriam para a lata do lixo virar obra de arte enche nossos olhos e corações de alegria e aprendizado. Será uma experiência inesquecível. É o trabalho realizado no Jardim Gramacho, visto por outro viés: agora, pessoas saem de suas belas casas, entram numa “Paisagem” feita com material que se joga no lixo, intervêm na obra e se sentem integradas à beleza dela. Um viva também aos artesãos que trabalham assim.

O escritor Johan Goethe disse: “Não existe meio mais seguro para fugir do mundo que a arte e não há forma mais segura de se unir a ele do que a arte”. Que Vik Muniz nos ensine, por muito tempo, a cuidar de nossa Terra com Educação, Sensibilidade e Arte.





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