22 de Maio de 2013
Familiares da estudante Ana Caroline Rosa da Conceição, de 17 anos, que morreu na noite de domingo num suposto acidente envolvendo um carro do 7º BPM (São Gonçalo) e a moto que ela viajava, no Pacheco, disseram ontem que vão entrar com uma ação na Justiça contra o Estado. “Não estamos preocupados com indenização. Isso é uma questão de justiça. Ana Caroline morreu e existe uma culpa”, disse o primo da jovem, Rodrigo Policarpo, de 24 anos.
A família contesta a versão apresentada pelos militares de que as motos estavam em alta velocidade, acrescentando que Allyson Alves de Moura, de 26 anos, namorado da jovem e condutor da moto, tinha acabado de passar por um quebra-mola. Os familiares e amigos também desconhecem a versão que teria sido transmitida para a imprensa, inicialmente, de que o carro da polícia participava de uma perseguição a um Nissan March, ocupado por cinco homens, acrescentando que os dois fatos ocorreram em horários e locais diferentes.
Segundo Rodrigo Policarpo, o choque da moto e a patrulha acorreu cerca de duas horas antes da perseguição ao Nissan. O único ponto de concordância é que Allyson e Ana Caroline estavam sem capacete. “Minha prima estava com o namorado, que é habilitado. Eles íam fazer um lanche na Praça dos Bandeirantes. Os PMs vieram do Pacheco e jogaram o carro em direção à moto de propósito, segundo várias testemunhas. Eles devem ter pensado que eles estavam fugindo de uma carro da PM que vinha atrás, mas isso não justifica a atitude deles”, afirmou.
O tio de Caroline, Fernando Valente, 43, disse que chegou ao local logo depois e presenciou uma rápida discussão entre os PMs. “Você está maluco”. Segundo Fernando, o PM desaprovava o procedimento do colega.
O pai da jovem, o namorado, o irmão e um amigo, estiveram ontem na 74ª DP (Alcântara), onde prestaram depoimento. Nesta quarta-feira, a família vai se reunir com o comandante do 7º BPM (São Gonçalo), tenente-coronel Luiz Eduardo Freire dos Santos, que já abriu um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a responsabilidade dos PMs no acidente.
Sonho interrompido pela tragédia
Carol, como era chamada por familiares e amigos, sonhava em se casar. Ela, além de estudar, ajudava a mãe na pensão da família na Rua Arlete Penedo Gomes, na localidade conhecida como Cafuca, em Santa Izabel.
“Ela acordava às 7h para ajudar a mãe nos afazeres de casa e ajudava a fazer a comida da pensão antes dos estudos. No próximo mês faríamos uma festa para ela, nos seus 18 anos”, lamentou Cátia Rosa, de 43 anos, tia da vítima.
Segundo Fernando Luis Valente, de 42 anos, tio de Caroline, os PMs usaram a patrulha como arma. “Eles cometeram um crime. Usaram o próprio carro da polícia como arma. Tiraram a vida de uma menina de 17 anos e estão querendo se justificar”, lamentou o tio.
Jovem agonizou por cerca de 50 minutos
Segundo as testemunhas, a jovem agonizou cerca de 50 minutos e morreu sufocada com o sangue, pouco antes da ambulância do Corpo de Bombeiros chegar ao local. “Acho que nós poderíamos prolongar a vida dela, caso nos deixassem ajudá-la a respirar, mas o que fizeram foi nos agredir”, contou o motorista particular Waldiram Pacheco Fernandes Souza, de 25 anos, que foi obrigado a deitar de rosto no chão, quando tentou socorrer Carolina.
De acordo com os jovens, o PM que dirigia o carro, queria apenas saber dos documentos de todos os envolvidos. Quando as pessoas começaram a chegar no local, o PM tirou a identificação e entrou na patrulha, onde ficou de cabeça baixa.
Delegado instaurou inquérito
O delegado da 74ª DP (Alcântara), Jorge Luiz Veloso, abriu inquérito para investigar o crime de homicídio culposo (quando não há a intenção de matar), praticado pelo PM que conduzia o carro da polícia. Além desse inquérito o delegado vai abrir outro para apurar abuso de autoridade, com base em relatos feitos pelos familiares da jovem.
“Um inquérito vai investigar o acidente de trânsito, a imprudência do PM, já que estando, ou não em perseguição, ele deve ser preparado para fazer uma abordagem. O outro é pelas agressões e maus-tratos contra às vítimas e outros jovens que estavam no local”, explicou o delegado.
Em depoimento, o PM alegou que ao se deparar com as motos em alta velocidade teria se assustado e perdido a direção do veículo. A PM confirmou a abertura do Inquérito Policial Militar para apurar as responsabilidades dos policiais no atropelamento. O comandante do 7º BPM (São Gonçalo), tenente coronel Luiz Eduardo Freire dos Santos, não foi encontrado para falar sobre o caso.
|
|
|
Expediente |
Anuncie Aqui |
Trabalhe Conosco |
Twitter |
Comunidade no Orkut |
RSS |
Fale Conosco
©Copyright O SÃO GONÇALO - Todos os direitos Reservados