Lojas tentam superar a crise do cacau e mantêm aposta nos tradicionais ovos de chocolate para a Páscoa
A Páscoa 2025 chega com desafios inéditos para consumidores e lojistas; Consequentemente, o preço dos ovos de chocolate seguem em alta

Há pouco menos de um mês para a comemoração de uma das festividades mais importantes para o cristianismo, a Páscoa, lojistas e consumidores estão enfrentando desafios diante de uma crise que afeta diretamente o maior e mais significativo símbolo pascal: o ovo de Páscoa.
A "crise do cacau" quase triplicou no último ano e obrigou o setor de alimentos a se redesenhar para a chegada da Páscoa. Para os fãs dos ovos de chocolate, o peso no bolso vai além do valor elevado dos produtos, com a redução dos tamanhos e mudanças na composição dos doces.
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A variação de preço da matéria-prima essencial para a fabricação do chocolate é apurada pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura). A alta alcançou o pico de 282% no período.
Porém, mesmo diante deste cenário, que contribui para encarecimento da data comemorativa, deixar a Páscoa passar em branco não é uma opção, visto que este é um período que mexe diretamente com a memória afetiva dos brasileiros. Por isso, lojistas seguem apostando nas vendas dos tradicionais ovos, enquanto os consumidores tentam driblar a alta dos preços através de uma boa dose de otimismo e pesquisa em diversas lojas.






Em Niterói, consumidores como a advogada Luciana Pereira, estão aproveitando as semanas que antecedem a Páscoa para procurar pelas melhores oportunidades de preços, e, quem sabe, já garantir e deixar reservado o presente da criançada.
"Estou achando tudo muito caro. Antigamente dava para comprar alguns ovinhos, para esconder pela casa, para as crianças, e era R$ 10, hoje além de ser mais caro, também reduziu a qualidade e quantidade dentro das embalagens. Vi a reportagem essa semana sobre a falta do cacau, que está fazendo com que o preço do chocolate consequentemente aumente, e entendo o momento difícil, mas temos que nos adaptar, tentar driblar esse aumento. Tenho uma filha de 3 anos que quer fazer caça aos ovos, mas como a gente ainda não dá chocolate para ela com frequência, o mais importante vai ser o lúdico mesmo, a procura, os brinquedos de brinde. Então não tem jeito, tem que pesquisar para ver o que cabe no orçamento e quem sabe já garantir o que estiver valendo a pena", contou.

Já para a aposentada Teresa Ramos, o foco deste ano está nas caixas de bombons, visto a quantidade de crianças na família, o que aperta ainda mais o orçamento para as compras pascoais.
"Esse ano acho que vou focar mais nas caixas de bombom mesmo, o restante está realmente muito caro. Tenho três netos e um bisneto, então imagina, presente pra todo mundo. Não tem como não pesquisar, ver o que fica mais em conta", afirmou a consumidora.
"A tradição de presentear com os ovos, principalmente presentear as crianças, não pode se perder né? Por isso que a gente vive essa saga, de buscar o melhor preço, economizar aqui, ali, e muitas vezes adaptar o presente mesmo, como estou pensando em fazer", completou Teresa.

Uma estratégia que pode equilibrar os custos e ampliar as oportunidades é a busca por chocolates de produtores menores, que muitas vezes conseguem oferecer preços mais competitivos do que as grandes indústrias. Chocolaterias artesanais vêm crescendo no Brasil e podem ser uma excelente opção para confeiteiros que desejam qualidade sem comprometer tanto a margem de lucro. O mercado também apresenta um movimento de substituição parcial do chocolate por ingredientes alternativos, como cacau 100% nacional, que ainda se mantém competitivo, além de opções sem chocolate, como ovos de colher recheados com brigadeiro de frutas, ovos de gelatina coloridos e caixas personalizadas com biscoitos artesanais decorados.