Saúde mental no trabalho: atualização da NR-1 exige que empresas avaliem riscos psicossociais
Mudança em norma reguladora do Ministério do Trabalho entra em vigor em maio

A partir do próximo mês, a Norma Regulamentadora 1 (NR-1) do Ministério do Trabalho e Emprego, que estabelece diretrizes de segurança e procura assegurar as condições de saúde no trabalho, foi atualizada para exigir a atenção das empresas com a saúde mental no ambiente profissional. A partir do dia 26 de maio de 2025, avaliações psicossociais deverão ser realizadas a fim de reduzir riscos de prejuízos à saúde mental dos empregados.
Criada em 1978, a NR-1 foi a primeira norma criada pelo Ministério do Emprego e Trabalho. Nos últimos anos, ela vem passando por atualizações para se adaptar às mudanças no ambiente profissional, como a adição do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e a nova regra dos riscos psicossociais.
A atualização segue o aumento de casos de problemas psicossociais no trabalho. De acordo com o Ministério da Previdência Social, o Brasil teve um aumento considerável de casos de afastamento profissional por saúde mental nos últimos 10 anos, chegando a quase meio milhão de afastamentos até o ano passado.
Leia também:
➢ Dólar sobe para 5,83 após resposta da China as tarifas de Donald Trump
➢ Acusado de roubos em Niterói é preso pela PM
O São Gonçalo ouviu moradores de Niterói sobre a mudança, que foi considerada positiva na opinião da maioria dos profissionais. A psicóloga Cristina Silva, de 59 anos, diz que, apesar de não ter tido conhecimento da atualização, acredita que a mudança vem em boa hora, já que considera essencial cuidar da saúde mental em todas as áreas.
“Antes da pandemia, a questão da saúde mental do mundo já era muito séria. Com a pandemia, alguns médicos dizem que a gente ainda vai levar 50 anos para poder vivenciar coisas que melhorem ou amenizem tudo que a gente viveu. Se esse documento garantir para a população acesso a serviços públicos de qualidade e acessíveis para qualquer pessoa, então é ótimo”, opinou Cristina.
Os riscos psicossociais citados na norma vão desde a sobrecarga de tarefas até o assédio moral dentro da organização. Esses fatores, quando agregados, podem causar, eventualmente, problemas mais sérios como o transtorno de ansiedade, a depressão e até uma síndrome de burnout. Douglas Rodrigues, empresário de 34 anos, acredita que a falta de uma rede de suporte para reduzir o acúmulo de estresse costuma ser a principal causa para esse tipo de problema.
“Às vezes, por exemplo, a pessoa tem problemas em casa e aí chega no trabalho e se depara com outros problemas e não sabe como lidar, não tem o preparo relacionado a isso. Acredito que é importante um projeto junto com psicólogos, psicanalistas, para poder dar suporte aos funcionários”, disse o empresário.
Já o técnico em segurança do trabalho Claudio Luiz Gomes, de 62 anos, acredita que, para diminuir os riscos, as empresas devem melhorar as condições de trabalho e tentar criar um vínculo de zelo entre os colegas de profissão.
“O importante [para a saúde mental] são melhores condições de trabalho, um bom ambiente de trabalho e as pessoas terem cuidados uns com os outros. A questão de cuidar influencia muito na saúde mental. Ás vezes, a pessoa sofre com algo e não tem com quem se abrir, e o lugar onde ela mais ‘convive’ é dentro da empresa. As empresas, então, deveriam escutar essas pessoa”, opina.
As empresas que não aderirem adequadamente às mudanças da NR-1 podem estar sujeitas a penalidades financeiras e passar por processos trabalhistas.
*Estagiário sob a supervisão de Sérgio Soares