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"Tarifaço" do Trump: especialista comenta impacto no mercado brasileiro de impostos anunciados pelos EUA

Presidente Donald Trump anunciou aumento nas tarifas de importação em todo o mundo; produtos brasileiros serão taxados em 10%

relogio min de leitura | Escrito por Lívia Mendonça e Felipe Galeno | 03 de abril de 2025 - 19:22
Para produtos brasileiros, a taxa passa a ser de 10% após anúncio de Trump no que ele chamou de "Dia de Libertação" dos EUA
Para produtos brasileiros, a taxa passa a ser de 10% após anúncio de Trump no que ele chamou de "Dia de Libertação" dos EUA -

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma série de medidas que aumentam as tarifas sobre a importação de bens de todo o mundo. O chamado "tarifaço" global foi divulgado nesta quarta-feira (02), data que o americano batizou de "Dia de Libertação". Para produtos brasileiros, a taxa passa a ser de 10%, de acordo com Trump.

As medidas entram em vigor no próximo sábado (05) e incluem tarifas recíprocas a países que já cobram taxas sobre produtos americanos importados. Para entender melhor os efeitos do anúncio no contexto brasileiro, OSG conversou com Carlos Leal, professor de direito tributário, empresarial e do trabalho na Universidade Salgado de Oliveira (Universo).


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Carlos explica que já existem taxas cobradas pelo governo americano na relação com o Brasil, mas que costumam ser menores do que as anunciadas. “Atualmente, as tarifas aplicadas pelos EUA variam dependendo do tipo de produto, mas têm taxas médias bem mais acessíveis, com alguns produtos brasileiros com menos de 5% ou até mesmo isentos, dependendo do acordo comercial”, destaca Carlos.

Ao mesmo tempo, o Brasil também cobra tributos sobre produtos importados dos EUA, que também variam de acordo com o tipo de produto e do estado de destino brasileiro, como explica Carlos. A variação das taxas, no caso brasileiro, é um pouco maior; enquanto alguns produtos chegam a ter isenção, em alguns casos, outros podem chegar a ter taxas de 60%.

A mudança nas taxas dos EUA deve afetar a relação entre os dois países e, principalmente, o preço dos produtos brasileiros lá fora. “Esse aumento vai impactar diretamente a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano, com o consequente aumento dos preços de nossos produtos no mercado de lá, o que leva a redução das exportações e piora ainda mais o déficit da balança comercial”, disse o professor.

Alguns produtos, em particular, devemos ser os mais afetados. “Nossas principais commodities como aço, alumínio, petróleo, café e carne, que têm grande participação nas exportações para as terras do Tio Sam, devem sofrer perdas significativas e terá repercussões no mercado interno, como o aumento dos custos nesses setores da economia brasileira, o que pode levar a aumentos de preços e cortes de empregos, para compensar as perdas”, destaca.

Outros países tiveram taxas maiores

Apesar dos impactos, o Brasil não está entre os países mais afetados pelo tarifaço. A taxa de 10% anunciada pelo presidente norte-americano está entre as menores da lista de novos percentuais tarifários. Para o Vietnã, por exemplo, a tarifa será de 46%. Também foram anunciadas taxas de 20% sobre os países integrantes da União Europeia e 34% sobre a China. Além disso, Trump também confirmou uma taxa de 25% sobre todos os veículos importados.

“Os nossos contribuintes têm sido roubados nos últimos 50 anos, mas isso não vai mais acontecer. Esse é um dos dias mais importantes da história americana. É a nossa declaração de independência econômica. Trabalhadores americanos foram deixados de lado enquanto outras nações ficaram ricas as nossas custas”, disse Trump, em discurso durante o anúncio das taxas.

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